A arquitectura desconstrutivista pode ser descrita como o produto de um grupo de arquitectos que criam o seu próprio culto através da definição de um estilo novo de edifício. O estilo é facilmente reconhecível como tendo formas quebradas, usando materiais « high-tech» para excitamento visual, e violando intencionalmente os princípios mais elementares do equilíbrio, do ritmo e da coerência. A sua única táctica de desenho é um gesto morfológico simples e aleatório que retira o sentido à forma. É duvidoso que tais arquitectos compreendam os filósofos franceses desconstrutivistas (pois tais escritos são, por princípio, não compreensíveis). Encontram neles certamente, no entanto, um esteio filosófico conveniente -- e uma etiqueta vistosa -- para justificar o seu próprio culto arquitectónico.
A ciência tenta compreender a complexidade ordenada do universo. Segue um processo que junta diferentes fragmentos de intuição, obtidos por investigadores diferentes e por técnicas diferentes, numa figura coerente. Às vezes os cientistas desmontam uma estrutura para estudar as suas peças, mas somente para poderem melhor compreender como é que o todo funciona. A desconstrução é a antítese disto: é o destruir da forma apenas para destruir. Destrói a complexidade ordenada que a natureza maravilhosamente sintetizou, e da qual nós mesmos surgimos. Esta destruição é simplesmente um voltar-se contra as forças evolucionistas que nos criaram.
O sucesso do culto desconstrutivista é inegável, contudo. Hoje em dia, as mais prestigiosas escolas de arquitectura do mundo abriram as suas portas ao desconstrutivismo, e contrataram aqueles arquitectos que se fizeram os representantes principais deste culto. Grandes empresas, os governos, e mesmo instituições religiosas estabelecidas competem pelos seus favores, gastando dinheiro em encomendas com aspecto extraterrestre; grandes somas de dinheiro que poderiam de outra maneira ser usadas para construir estruturas adaptadas aos seres humanos e ao espírito humano. Num entusiasmo absurdo -- e finalmente destrutivo -- com uma moda arquitectónica, os media promovem o culto de imagens desconstrutivistas, divulgando-as ao mesmo tempo que lhes conferem respeitabilidade.
Finalmente, técnicas típicas das seitas evangélicas são perversamente utilizadas para vender ideias desconstrutivistas aos países do terceiro-mundo, associando falsamente formas bizarras com progresso tecnológico. Os países que adoptam esta ideia destroem, então, estupidamente, seus edifícios vernáculos, históricos, e sagrados a fim de supostamente alcançarem um nível mais elevado de cultura arquitectónica. Exactamente o oposto é o que ocorre mais tarde ou mais cedo, depois de o excitamento inicial se evaporar, pois recursos escassos são desperdiçados a pagar caros materiais importados tais como o vidro e o aço. O resultado disto é um desastre ecológico impendente sobre todo o mundo. Os danos feitos ao nosso herdado legado arquitectónico e cultural são imensos.
A Arquitectura é a cena fixa das vicissitudes do homem, carregada de sentimentos de gerações, de acontecimentos públicos, de tragédias privadas, de factos novos e antigos.
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