Tinham-me dito que Bilbau era uma cidade feia. Por cidade feia entendia uma cidade repulsiva, desagradável. Não é. Bilbau é uma cidade sem interesse, chata, sem beleza, sem surpresas. Apesar de não ser feia é totalmente anónima. Nada ficará gravado na memória de quem por lá passa. A malha é regular, ortogonal, com algumas diagonais, umas praças e rotundas tranquilamente inseridas. A construção é de boa qualidade, e a arquitectura média também. «Prédios de rendimento» bem conseguidos. Cromaticamente pouco heterogénea, com o tijolo sempre presente.
Chega-se facilmente ao museu. Bilbao implanta-se junto ao rio, numa área especialmente acidentada topograficamente. Desce-se durante uns bons 20 quilómetros em autoestrada. A placa que diz «Bilbao/Bilbo» surge; continua-se a descer. Pouco depois de a cidade se ter anunciado (já estamos em Bilbao), e com pouco esforço de orientação tendo em vista que nada se conhecia, o museu apresenta-se, naquele enfiamento de rua, como uma inevitabilidade pacífica (afinal, fomos a Bilbau para vê-lo, nada mais). Exactamente como nas fotografias. E fica-se com água na boca a sonhar com um hipotético dia em que se chegaria a Bilbao sem saber que ele lá estava. Para que o seu famoso «efeito» fosse real; para que o fenómeno fosse nosso.
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