O estilo Tadao Ando situa-se na junção da arquitectura moderna clássica e da filosofia do Extremo Oriente. O modelo do arquitecto é Le Corbusier. o «pai fundador», de que ele conhece bem a obra por tê-la estudado na Europa. Autoditacta da arquitectura mas boxeur profissional, Ando é um homem exuberante que, na ocasião, sabe tornar-se espalhafatoso em contraste com as suas criações sóbrias e disciplinares, cuja ambição é serem apenas «nadas construídos». Três elementos presidem às construções de Ando: o amor da geometria, o desejo de fazer intervir a natureza e a sua preferência por materiais autênticos, sobretudo o betão. A sua patente é a grelha de 90x180 cm cujos seis buracos servem para atarraxar as tábuas da cofragem durante a construção. Para um não cristão, Ando constrói muitas igrejas, é sem dúvida a sua forma de se situar na confrontação Este-Oeste.
Tadao Ando
Nasceu em Osaka em 1941. Foi o obreiro da sua própria formação em arquitectura, em grande parte graças às suas viagens aos Estados Unidos, Europa e África (1962-69). Fundou a Tadao Ando & Associates em Osaka em 1969. Tem exercido uma influência considerável em escolas de arquitectura de todo o mundo. A sua abordagem da arquitectura inclui o uso de materiais tradicionais e regionais e uma orientação técnica de princípios modernos. O seu projecto para a Casa Azuma, em Osaka(Japão), datado de 1975, parte de uma série de residências particulares, combina uma fachada austera, de aspecto quase fortificado, com um interior minuciosamente concebido. O uso de madeira e cimento é feito com grande sensibilidade, na continuidade das tradições japonesas da arquitectura doméstica. O seu projecto para o pavilhão japonês na Expo'92, em Sevilha, reiterou as suas preocupações com o tradicional, estabelecendo também um depoimento de modernidade, com uma escadaria monumental puramente simbólica e paredes divisórias apaineladas de grandes dimensões. A sua visão rigorosa e o seu desenvolvimento de um vocabulário modernista no contexto da tradição japonesa decerto fazem dele uma figura cujo mérito será reconhecido nos próximos anos. O que nem sempre é totalmente apreciado é a quase sensualidade que confere às suas estruturas de betão. Em geral o betão não se deixa fotografar bem e só é possível sentirmos o jogo de luz nas suas superfícies se visitarmos os edifícios de Ando no Japão. Recebeu a Medalha Alvar Aalto, da Associação de Arquitectos Finlandeses (1985), a Medalha de Ouro da Academia Francesa de Arquitectura (1989), o Prémio Carlsberg de 1992 e o Prémio Pritzker (1995). Foi professor em Yale (1987), em Colúmbia (1988) e em Harvard (1990). Entre os edifícios mais importantes, contam-se os seguintes: Casas Rokko, Kobe, Japão (1983-93); Igreja na Água, Hocaído (1988); Pavilhão do Japão na Expo'92, Sevilha, Espanha (1992); Museu da Floresta de Túmulos, Kumamoto, Japão (1992) e o Museu Suntory, Osaka, Japão (1994). Entre os seus projectos actuais encontram-se novas casas em Kobe e um grande complexo na ilha de Awaij. Quanto à sua formação académica pouco se sabe, dando o próprio a entender que foi autodidacta no que concerne à arquitectura.
Em 1969 funda Tadao Ando Architects & Associates, vencendo o Prémio Pritzker, em 1995. Depois disto é convidado para ser professor nas Universidades de Harvard, Columbia e Yale.
As suas obras mais conhecidas são a Urbanização Rokko, em Kobe (1983-93), a Igreja sobre a água, o Pavilhão do japão na Expo´92, em Sevilha, e, mais recentemente, o Museu Sunotry, em Osaka(1994).
A casa Nakayama é uma das obras mais simples de Ando, e também uma obra que mostra claramente as suas ideias arquitectónicas. A casa consiste numa caixa alongada de betão com dois andares de altura com uma parede de um andar de altura ao seu lado. A entrada é aproximada através de uma apertada faixa entre a parede e a caixa em si, permitindo a percepção de um inteiro monólito de betão, com a excepção de três aberturas verticais que se podem considerar a fachada frontal. Sendo estreita, a entrada serve como uma clara barreira entre o espaço público e o espaço privado. A planta é dividida em dois ao longo do eixo maior do edifício. Uma divisão é mantida destapada para fornecer um pátio. O resto é dedicado às áreas de utilização diária, que se estendem nos dois andares. O rés-do-chão contem a cozinha, sala de jantar, sala de convívio e pequenos compartimentos de serviço. A parede da sala de convívio que está virada para o pátio é envidraçada, permitindo a entrada de luz natural na casa. O primeiro andar é novamente dividido em dois, ocupando o terraço metade da área do andar. O terraço está em conecção com o pátio inferior, através de uma escada com degraus em cimento. O primeiro andar contem o maior e melhor iluminado quarto e um quarto com estilo japonês. Ando está relacionado com a ideia do Regionalismo Crítico ao aderir ao carácter rigoroso da arquitectura de Osaka.
- No nosso país começa a haver um desconforto generalizado com a ideia de um "star-system" de arquitectos. Reconhece-se dentro desse "star-system"? Acha que também tem aspectos benéficos, porque corresponde a um reconhecimento da importância da arquitectura?
- Sei que não sou um desconhecido, mas também não sei se sou do "star-system", porque não fiz nada para isso. Mas acho que o "star-system" tem algumas vantagens, não acontece por acaso. Implica uma vida de dedicação ou, então, transforma-se - e penso que não é o caso dos arquitectos portugueses - numa hipocrisia, um vedetismo bacoco. Portanto, obriga a uma qualidade, a uma intensidade de trabalho.
- Chamar um arquitecto, como Frank Gehry para fazer o Parque Mayer, em Lisboa, por exemplo, incomoda-o?
- Não me incomoda, porque há um outro aspecto que não tem sido falado: a cidade tem de ter monumentos e residências, é uma hierarquia. Foi sempre assim, a história da arquitectura fez-se por "Bruneleschis" e por "Berninis" que desenharam os monumentos e a residência era feita por massa anónima. Só massa anónima também não é cidade, falta-lhe hierarquia. E o contrário é ridículo, porque resulta numa bienal, um "boulevard" cheio de vedetas. Portanto, não acho contranatura. O importante é que isso não se transforme numa regra.
Nos últimos 10 anos a situação da arquitectura em Portugal tem evoluído?
- A mim mudou-me muito. E acho que a arquitectura também. O arquitecto é, cada vez mais, uma figura da nossa sociedade. Não há jornal nenhum que se folheie que não tenha uma notícia sobre arquitectura. Isso deve-se ao Taveira, que, quer se goste, ou não, foi quem lançou o arquitecto como uma figura pública. Antes a arquitectura era uma disciplina desconhecida. Com as Amoreiras, houve essa inversão. Assim como com o Siza, no Chiado.
- O que é interessante verificar no seu percurso é uma articulação entre um certo pragmatismo, à "Escola do Porto", e referências ao mundo literário, artístico e filosófico. Como é que se gere esse conflito?
- Se os meios mudam, a acção muda. A cultura do Távora ou a do Siza nunca pode ser a cultura do João Luís Carrilho da Graça, por exemplo. O Siza prefere o Cesário Verde e o Távora tinha o Fernando Pessoa e os seus heterónimos. Para resolverem os seus problemas, cada um vai buscar os seus meios. O Távora vem dos homens que o marcaram: Le Corbusier, Bruno Zevi e Lúcio Costa. O Siza também passou uma época de grande suporte teórico. O Alvar Aalto foi uma figura de sustentação, dava saída à "não-saída" do Movimento Moderno. Depois, a produção da arquitectura começou a esvaziar-se do ponto de vista do suporte teórico. O Venturi punha tudo em causa. Nessa época, a última coisa importante, e que era muito subjectiva, era a autobiografia científica do Rossi e a "Arquitectura" do Donald Judd. Portanto, enquanto os arquitectos faliam do ponto de vista da produção teórica, de como projectar, os escritores ensinavam como escrever, os pintores como pintar, os músicos como fazer música... Encostei-me um pouco aos outros porque eram mais claros.
Mas o pós-modernismo acabou de uma maneira encapotada. O neomodernismo é uma espécie de pós-modernismo, porque as pessoas aderem por gosto. O Portoghesi faz cornijas porque gosta de cornijas; o Foster faz panos de vidro virados a sul porque gosta de vidro. E a postura é a mesma, porque a cornija não é precisa para nada e o pano de vidro também não.
Quando na Casa das Artes utiliza o espelho como dispositivo ficcional, não se trata também de uma colagem pós-moderna?
- Não quero filosofar ou teorizar a minha arquitectura, mas acho que isso faz parte da cultura contemporânea. Não se pode esquecer o existencialismo e o fim da metafísica. O Herberto Helder ou o Heiddegger explicam isso muito bem. O espaço não existe, só existe o tempo. Só existe o espaço nos próprios elementos físicos: o muro é o espaço - não há espaço entremuros. Há, depois, através das sensações. Quando fiz a Casa das Artes não podia usar o Vignola, nem o princípio da composição, e a chamada "proporção" também não tinha sentido. O que eu tinha eram muros, pilares e depois a intuição de que entre estes se tinha que passar alguma coisa. Portanto, manipulava-os como cenários, com espelhos, com cores... Não há espaço, só elementos e pedras.
- O que eu gosto do modernismo é precisamente o lado superficial porque, neste momento, a coerência, a postura modernista heróica, de mudar o mundo, acabou. Ficaram o vidro, o ferro, os painéis e o sistema. Não é pejorativo, pelo contrário, é o que a arquitectura deve utilizar.
Conduzir à noite, passear em silêncio através de caminhos desconhecidos. Acabo por alargar todo um espectro de liberdade. Nada linear nem objectivo, apenas o inexplicável se transforma num extasie sem contornos delineados a olho nu... E eu vejo o horizonte, mas nunca lhe consigo tocar.
Arquitectura que é feita hoje, abrange um leque de enormes possibilidades nos métodos construtivos e nas novas técnicas de aplicação de materiais, no entanto será de maior valia se houver um equilíbrio e um conceito no seu planeamento, alem de facilitar bastante quem cria as soluções abstractas no papel, muito mais se aplica a quem vai construir no terreno.
Em 1929. O Pavilhão de Barcelona foi projectado por Ludwig Mies Van der Rohe como o Pavilhão nacional alemão para a exibição em 1929, do ano internacional de Barcelona, prendido em Montjuïc.
O Pavilhão de Barcelona, um trabalho emblemático do movimento moderno, austero foi estudada e interpretada assim como sendo inspirado o oeuvre de diversas gerações dos arquitectos. Foi projectada por Ludwig Mies Van der Rohe (1886-1969) como o pavilhão nacional alemão para a exibição em 1929 ano internacional de Barcelona. Construído de vidro, de travertine e dos tipos diferentes de mármore, o Pavilhão concebido para acomodar a recepção oficial do presidente sobre o rei Alphonso XIII de Espanha junto com as autoridades alemãs.
Após o encerramento da exibição, o Pavilhão foi desmontado em 1930. Enquanto o tempo foi perto, transformou-se um ponto chave da referência não somente na própria carreira de Mies Van der Rohe mas também numa arquitectura de vigésimo-século. Dado o significado e a reputação do Pavilhão, os pensamentos giraram em torno da sua reconstrução possível.
Em Oriol 1980 Bohigas, como o cabeça do departamento urbano do planeamento no conselho de cidade de Barcelona, ajusta o projecto no movimento, designando arquitectos Ignasi de Solà-Solà-Morales, Cristian Cirici e Fernando Ramos à pesquisa, supervisiona o projecto e a reconstrução do Pavilhão.
O trabalho começou em 1983 e o edifício novo foi aberto no seu local original em 1986.
Os materiais O vidro, o aço e quatro tipos diferentes do mármore (travertine romana, mármore alpine verde, mármore verde antigo de Greece e onyx dourado das montanhas do atlas) foram usados para a reconstrução, todas as mesmas características provenientes como foram empregadas originalmente por Mies em 1929.
O originalidade de Mies Van der Rohe no uso dos materiais coloca não assim muito no novelty como no ideal do modernismo expressaram com o rigor da sua geometria, da precisão das partes e da claridade de seu conjunto.
A cadeira de Barcelona
Mies Van der Rohe projectou uma cadeira, especial para o Pavilion, consistindo em a leatherupholstered o perfil metálico que sobre os anos se transformou um ícone do projecto moderno. A tal extensão, no facto, que a cadeira de Barcelona ainda está manufacturada e introduzida no mercado hoje.
Escultura de Georg Kolbe A escultura é uma reprodução de bronze da parte intitulada alba (alvorecer) por Georg Kolbe, um contemporâneo de Mies Van der Rohe. Masterfully colocado em uma extremidade da lagoa pequena, o escultura é reflectido não somente na água mas também no mármore e vidro, criando desse modo a sensação que está multiplicado no espaço, em quanto suas curvas contrastam com o purismo geométrico do edifício.
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