Saturday, June 12, 2004
Estudo Vitra

Tadao Ando

Centro de Seminários e de Estudo Vitra, Weil am Rhein, Alemanha, 1992-93


Esta pequena estrutura, com um rés-do-chão de 420 metros quadrados, um primeiro andar de 218 metros quadrados e uma cave de 202 metros quadrados, é feita de betão, carvalho americano e vidro. O betão é, evidentemente, o material preferido de Ando, e esta estrutura testemunha a capacidade do arquitecto para criar obras de grande qualidade, mesmo fora do seu país natal. As palavras de Ando acerca do edifício permitem compreender melhor a sua perspectiva:"O edifício ergue-se num terreno quase sempre plano, com um pomar de cerejeiras. Quando visitei o local pela primeira vez, fiquei impressionado com a qualidade do «movimento» que o Museu de Design de Frank O. Gehry projectava. Para contrastar com a arquitectura de «movimento» de Gehry, introduzi o elemento da «imobilidade». Escolhendo a mais estática de todas as formas - o quadrado - utilizei-o no plano do pátio rebaixado, inserido no espaço plano... Envolvendo assim o edifício numa relação de tensão, o meu último objectivo era criar um local fortemente provocador.". Na realidade, o alinhamento da estrutura de Ando em frente do museu de Gehry é tal que é impossível ver o museu do interior do Centro de Seminários. A tensão almejada por Ando parece ser, também aqui, um caso de rejeição.

Centro de Seminários e de Estudo Vitra

 

 

 

 

 

 

 

 


Posted at Saturday, June 12, 2004 by arquinorma
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Mark Twain

"Cada um é uma lua, com seu lado escuro que não mostra a ninguém "



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Thursday, June 10, 2004
(...) Idiotas

"Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas;
hoje, os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se
uma situação realmente trágica:- ou o sujeito se
submete ao idiota ou o idiota o extermina".


                                                                        Nelson Rodrigues

Posted at Thursday, June 10, 2004 by arquinorma
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Wednesday, June 09, 2004
Tadao Ando

                                                               

Tadao Ando - Interview from Architectural Record  

O estilo Tadao Ando situa-se na junção da arquitectura moderna clássica e da filosofia do Extremo Oriente. O modelo do arquitecto é Le Corbusier. o «pai fundador», de que ele conhece bem a obra por tê-la estudado na Europa. Autoditacta da arquitectura mas boxeur profissional, Ando é um homem exuberante que, na ocasião, sabe tornar-se espalhafatoso em contraste com as suas criações sóbrias e disciplinares, cuja ambição é serem apenas «nadas construídos». Três elementos presidem às construções de Ando: o amor da geometria, o desejo de fazer intervir a natureza e a sua preferência por materiais autênticos, sobretudo o betão. A sua patente é a grelha de 90x180 cm cujos seis buracos servem para atarraxar as tábuas   da cofragem durante a construção. Para um não cristão, Ando constrói muitas igrejas, é sem dúvida a sua forma de se situar na confrontação Este-Oeste.

 

Tadao Ando
Nasceu em Osaka em 1941. Foi o obreiro da sua própria formação em arquitectura, em grande parte graças às suas viagens aos Estados Unidos, Europa e África (1962-69). Fundou a Tadao Ando & Associates em Osaka em 1969. Tem exercido uma influência considerável em escolas de arquitectura de todo o mundo. A sua abordagem da arquitectura inclui o uso de materiais tradicionais e regionais e uma orientação técnica de princípios modernos. O seu projecto para a Casa Azuma, em Osaka(Japão), datado de 1975, parte de uma série de residências particulares, combina uma fachada austera, de aspecto quase fortificado, com um interior minuciosamente concebido. O uso de madeira e cimento é feito com grande sensibilidade, na continuidade das tradições japonesas da arquitectura doméstica. O seu projecto para o pavilhão japonês na Expo'92, em Sevilha, reiterou as suas preocupações com o tradicional, estabelecendo também um depoimento de modernidade, com uma escadaria monumental puramente simbólica e paredes divisórias apaineladas de grandes dimensões. A sua visão rigorosa e o seu desenvolvimento de um vocabulário modernista no contexto da tradição japonesa decerto fazem dele uma figura cujo mérito será reconhecido nos próximos anos. O que nem sempre é totalmente apreciado é a quase sensualidade que confere às suas estruturas de betão. Em geral o betão não se deixa fotografar bem e só é possível sentirmos o jogo de luz nas suas superfícies se visitarmos os edifícios de Ando no Japão. Recebeu a Medalha Alvar Aalto, da Associação de Arquitectos Finlandeses (1985), a Medalha de Ouro da Academia Francesa de Arquitectura (1989), o Prémio Carlsberg de 1992 e o Prémio Pritzker (1995). Foi professor em Yale (1987), em Colúmbia (1988) e em Harvard (1990). Entre os edifícios mais importantes, contam-se os seguintes: Casas Rokko, Kobe, Japão (1983-93); Igreja na Água, Hocaído (1988); Pavilhão do Japão na Expo'92, Sevilha, Espanha (1992); Museu da Floresta de Túmulos, Kumamoto, Japão (1992) e o Museu Suntory, Osaka, Japão (1994). Entre os seus projectos actuais encontram-se novas casas em Kobe e um grande complexo na ilha de Awaij.  Quanto à sua formação académica pouco se sabe, dando o próprio a entender que foi autodidacta no que concerne à arquitectura.
Em 1969 funda Tadao Ando Architects & Associates, vencendo o Prémio Pritzker, em 1995. Depois disto é convidado para ser professor nas Universidades de Harvard, Columbia e Yale.
As suas obras mais conhecidas são a Urbanização Rokko, em Kobe (1983-93), a Igreja sobre a água, o Pavilhão do japão na Expo´92, em Sevilha, e, mais recentemente, o Museu Sunotry, em Osaka(1994)
.


Edifícios e projectos                

 

CASA NAKAYAMA

A casa Nakayama é uma das obras mais simples de Ando, e também uma obra que mostra claramente as suas ideias arquitectónicas. A casa consiste numa caixa alongada de betão com dois andares de altura com uma parede de um andar de altura ao seu lado. A entrada é aproximada através de uma apertada faixa entre a parede e a caixa em si, permitindo a percepção de um inteiro monólito de betão, com a excepção de três aberturas verticais que se podem considerar a fachada frontal. Sendo estreita, a entrada serve como uma clara barreira entre o espaço público e o espaço privado. A planta é dividida em dois ao longo do eixo maior do edifício. Uma divisão é mantida destapada para fornecer um pátio. O resto é dedicado às áreas de utilização diária, que se estendem nos dois andares. O rés-do-chão contem a cozinha, sala de jantar, sala de convívio e pequenos compartimentos de serviço. A parede da sala de convívio que está virada para o pátio é envidraçada, permitindo a entrada de luz natural na casa. O primeiro andar é novamente dividido em dois, ocupando o terraço metade da área do andar. O terraço está em conecção com o pátio inferior, através de uma escada com degraus em cimento. O primeiro andar contem o maior e melhor iluminado quarto e um quarto com estilo japonês. Ando está relacionado com a ideia do Regionalismo Crítico ao aderir ao carácter rigoroso da arquitectura de Osaka.

 


Posted at Wednesday, June 09, 2004 by arquinorma
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Descrição-Moradia

 


Posted at Wednesday, June 09, 2004 by arquinorma
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Acabamentos de Obras

  


Posted at Wednesday, June 09, 2004 by arquinorma
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Phrases Soltas da Arquitectura

- No nosso país começa a haver um desconforto generalizado com a ideia de um "star-system" de arquitectos. Reconhece-se dentro desse "star-system"? Acha que também tem aspectos benéficos, porque corresponde a um reconhecimento da importância da arquitectura?

 - Sei que não sou um desconhecido, mas também não sei se sou do "star-system", porque não fiz nada para isso. Mas acho que o "star-system" tem algumas vantagens, não acontece por acaso. Implica uma vida de dedicação ou, então, transforma-se - e penso que não é o caso dos arquitectos portugueses - numa hipocrisia, um vedetismo bacoco. Portanto, obriga a uma qualidade, a uma intensidade de trabalho.

- Chamar um arquitecto, como Frank Gehry para fazer o Parque Mayer, em Lisboa, por exemplo, incomoda-o?

- Não me incomoda, porque há um outro aspecto que não tem sido falado: a cidade tem de ter monumentos e residências, é uma hierarquia. Foi sempre assim, a história da arquitectura fez-se por "Bruneleschis" e por "Berninis" que desenharam os monumentos e a residência era feita por massa anónima. Só massa anónima também não é cidade, falta-lhe hierarquia. E o contrário é ridículo, porque resulta numa bienal, um "boulevard" cheio de vedetas. Portanto, não acho contranatura. O importante é que isso não se transforme numa regra.

Nos últimos 10 anos a situação da arquitectura em Portugal tem evoluído?

 - A mim mudou-me muito. E acho que a arquitectura também. O arquitecto é, cada vez mais, uma figura da nossa sociedade. Não há jornal nenhum que se folheie que não tenha uma notícia sobre arquitectura. Isso deve-se ao Taveira, que, quer se goste, ou não, foi quem lançou o arquitecto como uma figura pública. Antes a arquitectura era uma disciplina desconhecida. Com as Amoreiras, houve essa inversão. Assim como com o Siza, no Chiado.

- O que é interessante verificar no seu percurso é uma articulação entre um certo pragmatismo, à "Escola do Porto", e referências ao mundo literário, artístico e filosófico. Como é que se gere esse conflito?

- Se os meios mudam, a acção muda. A cultura do Távora ou a do Siza nunca pode ser a cultura do João Luís Carrilho da Graça, por exemplo. O Siza prefere o Cesário Verde e o Távora tinha o Fernando Pessoa e os seus heterónimos. Para resolverem os seus problemas, cada um vai buscar os seus meios. O Távora vem dos homens que o marcaram: Le Corbusier, Bruno Zevi e Lúcio Costa. O Siza também passou uma época de grande suporte teórico. O Alvar Aalto foi uma figura de sustentação, dava saída à "não-saída" do Movimento Moderno. Depois, a produção da arquitectura começou a esvaziar-se do ponto de vista do suporte teórico. O Venturi punha tudo em causa. Nessa época, a última coisa importante, e que era muito subjectiva, era a autobiografia científica do Rossi e a "Arquitectura" do Donald Judd. Portanto, enquanto os arquitectos faliam do ponto de vista da produção teórica, de como projectar, os escritores ensinavam como escrever, os pintores como pintar, os músicos como fazer música... Encostei-me um pouco aos outros porque eram mais claros.

Mas o pós-modernismo acabou de uma maneira encapotada. O neomodernismo é uma espécie de pós-modernismo, porque as pessoas aderem por gosto. O Portoghesi faz cornijas porque gosta de cornijas; o Foster faz panos de vidro virados a sul porque gosta de vidro. E a postura é a mesma, porque a cornija não é precisa para nada e o pano de vidro também não.

Quando na Casa das Artes utiliza o espelho como dispositivo ficcional, não se trata também de uma colagem pós-moderna?

- Não quero filosofar ou teorizar a minha arquitectura, mas acho que isso faz parte da cultura contemporânea. Não se pode esquecer o existencialismo e o fim da metafísica. O Herberto Helder ou o Heiddegger explicam isso muito bem. O espaço não existe, só existe o tempo. Só existe o espaço nos próprios elementos físicos: o muro é o espaço - não há espaço entremuros. Há, depois, através das sensações. Quando fiz a Casa das Artes não podia usar o Vignola, nem o princípio da composição, e a chamada "proporção" também não tinha sentido. O que eu tinha eram muros, pilares e depois a intuição de que entre estes se tinha que passar alguma coisa. Portanto, manipulava-os como cenários, com espelhos, com cores... Não há espaço, só elementos e pedras.

- O que eu gosto do modernismo é precisamente o lado superficial porque, neste momento, a coerência, a postura modernista heróica, de mudar o mundo, acabou. Ficaram o vidro, o ferro, os painéis e o sistema. Não é pejorativo, pelo contrário, é o que a arquitectura deve utilizar.

 

Eduardo Souto Moura


Posted at Wednesday, June 09, 2004 by arquinorma
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Monday, June 07, 2004
Horizonte...

 
Conduzir à noite, passear em silêncio através de caminhos desconhecidos. Acabo por alargar todo um espectro de liberdade. Nada linear nem objectivo, apenas o inexplicável se transforma num extasie sem contornos delineados a olho nu... E eu vejo o horizonte, mas nunca lhe consigo tocar.

Posted at Monday, June 07, 2004 by arquinorma
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